17 de maio de 2017

#nãosejasumporquê

A loucura parece já ter acalmado. Lembro-me de estar sentada na cama, com o computador no colo, quando me apareceu pela primeira vez o trailer daquela que viria a ser uma das séries mais badaladas do ano. Fiquei curiosa, entusiasmada. Sabia que era o tipo de série que eu teria de ver. Uma série que seria, sem dúvida, a minha cara. 
Passados uns dias, ao circular pela FNAC - sim, por vezes, circulo apenas, sem qualquer objetivo de compra- dei de frente com o livro que, supostamente, teria dado origem à série. Comprei. Um dois dias tinha o livro "feito" (como costumo dizer). 
Considerei um livro médio. Não superou as expectativas que o trailer me tinha colocado. Coloquei em causa se a serie seria como o livro - um pouco insossa. 

Curiosamente, no próprio dia em que terminei o livro, vi o primeiro episódio da série. E a partir daí a minha vida alterou-se. Não fui das fãs que viu a série toda num ou dois dias. Não, não o fiz. Não se deveu a falta de tempo. Deveu-se, sim, a falta de coragem. À dificuldade que tive, tal como "ele" em aceitar e ouvir as cassetes, uma por uma. 

Durante as duas semanas em que fui vendo os episódios - e atenção, que havia dias em que só via metade - senti-me a voltar aos meus tempos de liceu. Andei mais depressiva, mais instável, mais introspectiva, mais desorganizada emocionalmente. Senti uma transferência total da Hannah em mim e senti as dores da humilhação, a vontade de acabar, o "já-não-vale-a-pena", o "vamos-tentar-só-mais-uma-vez", o estado de alienismo momentaneo, o afastar quem nos quer bem, (...). 

É uma série poderosa que retrata a vivência de muitos mais adolescentes do que aqueles que possamos imaginar. É preciso muita força para sair daquele poço sem fim. Eu encontrei a minha força. A Hannah não. E tu?


Série 13 Reasons Why - Netflix
#nãosejasumporquê

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